Ceará Cresce Brincando

Aqui se cresce brincando!

Arquivos da Categoria: CON[sumo]SCIENTE

As mídias, a publicidade e o brincar

brincando com papelão“As crianças hoje brincam cada vez menos, pois ficaram dependentes dos brinquedos e produtos tecnológicos que o mercado oferece e que os pais têm comprado, motivados mais pelo marketing do que pela consciência. A vida corrida, falta de tempo de lazer e a invasão de smartphones, videogames e computadores estão transformando drasticamente os vínculos familiares e o tempo de lazer”.

É com esse trecho de um excelente texto encontrado no site Prioridade Absoluta – Criança em primeiro lugar que começamos o ano falando sobre como as crianças estão “desaprendendo a brincar” diante do arsenal de artigos tecnológicos – celulares, tablets, videogames, computadores – que invadem o mercado e a publicidade, principalmente, televisiva. O link feito entre o consumo exagerado e o brincar espontâneo e o imaginar livre é excelente para refletirmos como podemos trabalhar na contramão desse movimento.

Leiam, levem este artigo para as escolas, discutam em reuniões de pais, professores, façam rodas de conversa com as crianças, alertem sobre os efeitos da publicidade infantil e, sempre estimulem o brincar da sua forma mais simples. Crianças, de praxe, são criativas, curiosas, gostam de experimentar. Da caixa de papelão fazem um foguete, ou avião, gostam de bola, de corda, de invenção, de histórias, de brincadeiras de correr, de se movimentar, que exijam seu esforço. Por isso, a prioridade de quem está ao lado delas é sempre estimular tudo isso e deixar os celulares e eletrônicos em segundo plano. Ou melhor, deixar pra quando eles crescerem e, involuntariamente, necessitarem desses objetos na sua rotina.

Vejam o artigo  completo “Criança na mira da publicidade”, aqui.

Anúncios

O real, o virtual, as crianças e no meio disso tudo, uma mediação saudável e responsável

Computador-CriançaHá muito tempo acompanhamos os escritos de Flávio Paiva, jornalista e escritor cearense que se dedica a falar sobre muita coisa. Coisas importantes como cultura, educação, cidadania, mobilização social, e principalmente, infância. A criança, suas relações, as produções voltadas para elas, seus direitos e tantos outros assuntos que giram em torno desse universo, sempre estão presentes em seus artigos e textos tão coerentes e importantes para quem lida no dia-a-dia com crianças e adolescentes.

Dentre tantas produções, hoje pedimos licença a Flávio Paiva, para publicarmos aqui o artigo “O lugar da infância nas redes sociais”, escrito para sua coluna semanal do jornal Diário do Nordeste. O texto fala sobre a relação que a criança tem estabelecido entre o mundo virtual e o real, e qual o papel dos adultos mediadores – mais exclusivamente para o Ceará Cresce Brincando, leia-se educadores sociais – para que essa relação possa ser a mais saudável possível.

Boa leitura a todos!

 

O lugar da infância nas redes sociais

Artigo publicado no Jornal Diário do Nordeste, Caderno 3, pág2

Quinta-feira, 23de Maio de 2013-Fortaleza, Ceará, Brasil

http://www.flaviopaiva.com.br

flaviopaiva@fortalnet.com.br

 

Os problemas de segurança reduziram significativamente o uso das ruas e das praças pelas crianças. Confinadas em casas, apartamentos e mesmo em condomínios, meninas e meninos já não usufruem mais da proteção dos vizinhos e da educação em comunidade. Nesse contexto de tolhimento de liberdade surgiram as janelas, em formas de telas, do universo virtual. E, como Alice diante do espelho, as crianças perceberam que por meio delas chegariam às infovias de um mundo de logradouros digitais no qual poderiam voltar a ter a posse de lugares de circulação, de brincadeiras e de sociabilidade.

A descoberta das redes sociais e dos jogos on-line calhou bem na necessidade de vivência e de convivência da cultura da infância na sua dimensão própria de experiência humana, marcada por um permanente estado de alumbramento e por uma revelação de mundo em escalas bem diferentes da visão do adulto. A atração pelos espaços da virtualidade é tamanha que muitas crianças, além de não quererem saber dos riscos do novo ambiente, passaram a desistir da realidade concreta. A sintonia fina entre o mundo social real e o mundo social virtual passou, então, a ser um dos grandes desafios da atualidade.

Coloquei o que penso sobre essa problemática em uma conversa, ocorrida ontem (22) com pais e educadoras da Casa de Criança, dentro do programa “Trocando Ideias”, realizada por essa que foi a primeira escola dos meus filhos. Sob o guarda-chuva do tema “Nossos Filhos e as Redes Sociais – Um olhar real para o mundo virtual”, que me foi passado pela organização, falei do real e do virtual, como instâncias diferentes, mas passíveis do desenvolvimento de um mesmo processo educativo da imaginação, da sensibilidade e da inteligência.

As diferenças nas respostas das crianças, geradas pela fruição dos espaços do real e do virtual, podem ser observadas no comportamento comum de meninas e meninos. Enquanto em situações de ordem física a criança quer a repetição da história e da brincadeira, no plano virtual, depois de superadas as fases da narrativa e do jogo, elas geralmente não desejam refazer a experiência, talvez por restarem poucos elementos de recriação dentro do que foi desenhado pelos programadores.

O ponto mais comum na dinâmica de circulação das esferas reais e virtuais é que ambas são espaços sociais, com estruturas conectivas e vasos comunicantes. Mudam os conceitos de vizinho, amigo, acesso, distância e os hábitos de distanciamento e proximidade. Nas redes sociais virtuais é relativamente mais fácil ser notado e receber elogios fartos do que nas redes sociais físicas, que requerem deslocamentos e encontros com outras pessoas, embora pareça evidente que curtir com clique não expresse a mesma sinceridade do abraçar.

Quais os códigos para a nova interação social constituída pelo binômio real e virtual é o que precisamos saber, a fim de dominar o que há de comum desse conjunto de comunidades interconectadas. Essa aprendizagem passa pelo entendimento do enredo dos logradouros digitais, seus outdoors, suas propagandas, seus modelos de negócios e suas possibilidades de fortalecimento das culturas. As redes sociais hoje ainda se resumem a serviços de trocas de conteúdos e de relacionamentos, inclusive os jogos on-line, prestados por empresas inovadoras e competitivas da nova economia.

A internet é uma rede pública, com calçadas e avenidas, mas dominada por estabelecimentos privados em busca de lucro. A oferta de possibilidades prontas interfere na criação de sentido próprio por parte do usuário. O que se vê são pessoas caindo nas armadilhas das rotinas dos acessos virtuais e com dificuldade de conter os impulsos criados pela dependência excessiva das telas. O resultado do fastio a tudo o que não signifique estar conectado é o desinteresse pela realidade concreta, a irritação diante da ansiedade da conectividade, postura comprometida, obesidade, sonolência e baixo rendimento na escola.

Não vejo outra saída, que não a de darmos um salto à abstração do conceito de virtual em nossas vidas. Esse salto precisa considerar que virtual não é apenas um lugar para onde se vai e de onde se volta para o mundo real. O tempo e o espaço no universo da vida digitalizável está potencialmente mais próximo do jeito como as crianças cultivam o mundo do que o nossa. Esse é um fato a ser interpretado, analisado e aproveitado como oportunidade de aproximação de pais e filhos, intensificando vínculos da aprendizagem compartilhada do viver.

Nós, pais, precisamos entrar nesse exercício de descobertas e trocas consentidas com os nossos filhos. O comércio de dados de usuários e a indústria de armas chegaram primeiro, mas não é por isso que devemos esmorecer. A omissão da sociedade com relação ao mundo virtual permite que gangues ocupem os lugares de grupos sociais. Os perfis falsos, o aliciamento de menores, o cyberbullying e os boatos virais carecem da pedagogia da presença para deixarem de imperar na rede mundial de computadores, influenciando negativamente o comportamento dos nossos filhos.

O convívio social nesses tempos hipermodernos necessita mais do que nunca do legítimo e natural papel de educador das famílias, em quaisquer das suas configurações. A construção da confiança e a percepção dos valores culturais são responsabilidades intransferíveis. Os mundos on-line e offline não se refletem um no outro, cada qual tem a sua linguagem e o seu contexto. No diálogo de interfaces os pais podem funcionar muito bem como chamadores de atenção no jogo de conceitos e preconceitos muitas vezes dominados pelos chamados participantes tóxicos, aqueles que invadem os espaços de paz e de segurança nas redes sociais e nos jogos on-line.

Em um bate-papo que fiz com estudantes da EMEIF Antonio Correia Lima, da Vila Velha, na Barra do Ceará, realizada na semana passada (15/05/2013), na Biblioteca Cuca, uma garota perguntou qual a razão da escolha da descoberta da amizade entre diferentes para ser o tema do meu livro “A casa do meu melhor amigo” (Cortez Editora, 2010), e respondi que a única escolha que fiz foi a da metáfora do menino cupim, como a representação de alguém que mora em uma comunidade diferente, pois a necessidade de compreensão do viver tem na atualidade a dimensão das realidades concreta e virtual.

Em situações normais, o lugar da infância nas redes sociais e nos jogos on-line não deveria sofrer com restrições conceituais. As crianças precisam de vias e infovias para o bem de suas emoções, para crescerem sadias. Entretanto, os cuidados com a segurança devem ser constantes nos dois casos. A depender do nível de maturidade alcançado por cada criança, os pais podem e devem liberar os acessos, sem esquecer que muitos dos logradouros virtuais ainda são constituídos de terrenos baldios e de pontos de venda. Não há, portanto, prescrição ou fórmula para dar certo. A complexidade de circulação nos ambientes virtuais e físicos está impregnada de violência, mas é o mundo que temos para viver e precisamos nos aventurar para transformá-lo. Se há alguém que não tem direito à descrença é um pai, uma mãe…

A publicidade infantil deve ser proibida?

Vocês já viram a matéria que saiu essa semana, no dia 3 de julho, no Jornal O Povo falando sobre a proibição das propagandas destinadas ao público infantil (Clica aqui para ver)? Essa questão já vem sendo discutida há bastante tempo, e agora ganha espaço na Câmara dos Deputados.

A propaganda de brinquedos, lanches industrializados, roupas, produtos de beleza e mais uma serie de serviços, muitas vezes não destinados às crianças, coloca-as como potenciais consumidoras e detentoras do poder de decisão de toda a família, embora esse seja um público que ainda não possui poder aquisitivo, e, teoricamente, não teria poder de compra.

Outro fator que torna as crianças um alvo fácil da publicidade é o fato de representarem um terreno fértil para a proliferação de fiéis clientes. Ao receberem estímulos desde muito novas, tenderão a crescer consumindo determinada marca e, dificilmente, a trocarão quando atingirem a maturidade.

Vale a reflexão se essa postura adotada pela maioria das empresas é correta e se as crianças devem sofrer essa influencia desde muito cedo. E você, o que acha? É a favor ou contra?

Troféu de Empresa Manipuladora vai para Mattel

No dia 30 de novembro pais, mães, profissionais e representantes do Instituto Alana, organização sem fins lucrativos que fomenta a promoção da assistência social, da educação, da cultura e está a frente do Projeto Criança e Consumo, foram para frente da empresa Mattel  realizar um protesto contra a manipulação de crianças através de anúncios publicitários.

Duas semanas antes do Dia das Crianças a Mattel foi responsável pela veiculação de 8.900 anúncios de produtos infantis em cerca de 15 canais de televisão. Diante do impressionante número, o movimento de protesto resolveu dedicar à empresa o troféu de “Prêmio Manipuladora”. Segundo representantes do Instituto Alana, “é preciso dar aos nossos pequenos o direito de assistir a um desenho que eles gostem sem ter que pagar a conta mais cara de todas, que é ver uma geração inteira crescer acreditando que é preciso ter para ser”.

O Projeto Criança e Consumo já existe desde 2005 e possui um blog próprio só para discutir assuntos relacionados a relação da infância com o consumismo (www.consumismoeinfancia.com) . Segundo o site da instituição, o projeto “desenvolve atividades que despertam a consciência crítica da sociedade brasileira a respeito das práticas de consumo de produtos e serviços por crianças e adolescentes”. Além disso, o projeto busca debater e apontar meios que minimizam os impactos negativos causados pelos investimentos maciços na mercantilização da infância e da juventude, como o consumismo, a erotização precoce, a incidência alarmante de obesidade infantil, a violência na juventude, o materialismo excessivo, dentre outros.

Para saber mais sobre o protesto contra a empresa Mattel e as atividades do Instituto Alana e do Projeto Criança e Consumo, acesse http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Projeto.aspx.

CON[sumo]SCIENTE: Propagandas de produtos infantis podem sofrer restrições

As crianças brasileiras são as que mais assistem TV em todo o mundo. São em média quatro horas diárias na frente do advento tecnológico e, na maioria das vezes desacompanhadas dos pais ou de uma pessoa adulta capaz de orientá-la quanto a qualidade da programação e os apelos de consumo ligados à publicidade.

Ai é onde está o “x” da questão.  Atualmente, as crianças representam um amplo mercado consumidor, seja pela influência que exerce dentro de casa e das decisões de compra da família, ou pelo poder de compra adquirido com suas mesadas. As empresas, cientes disso, criam mensagens e apelos publicitários voltados diretamente para eles, que ainda não estão amadurecidos o suficiente para entender as consequências das influências desse consumismo precoce.

Baseado nisso, está em tramitação na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei (PL 702/2011) que restringe a veiculação de propagandas de produtos infantis na TV aberta e fechada, entre 7h e 22h, ou seja, o dia todo. A autoria ficou a cargo do deputado Marcelo Matos (PDT/RJ) que afirmou que estamos podendo observar “a proliferação de denúncias apresentadas por pais e órgãos de defesa do consumidor contra propagandas que exploram a credulidade infantil mediante o emprego de imperativos – ainda que velados – de indução ao consumo desmedido”.

Agora é esperar e torcer pela aprovação da lei!

CON[sumo]SCIENTE – Palhaço do bem?

Hoje estamos lançando uma nova categoria no Blog, a “CON[sumo]SCIENTE”. Aqui vamos falar sobre a relação da infância com a mídia, os apelos de consumo voltados para a criança e o adolescente; e o que se pode fazer para promovermos um consumo consciente entre esse grande alvo da publicidade moderna. E o tema que inaugura a CON[sumo]SCIENTE é bem polêmico. Confira aqui!

Nos Estados Unidos, centenas de médicos se uniram em uma campanha que exige que o McDonald’s abandone seu conhecido mascote, o Ronald McDonald. Em carta publicada nos principais jornais do país, os manifestantes ainda querem que a rede de fast food pare de promover produtos entre crianças.

A divulgação do manifesto veio coincidir com a reunião anual de diretores da companhia, que acontece em Chicago hoje, 19. Os médicos reivindicam que o “McLanche Feliz” não seja mais acompanhado de brindes direcionados às crianças. A campanha vem sendo conduzida pela Corporação de Responsabilidade Internacional (Corporate Accountability International).

Em comunicado, a companhia defendeu tanto o palhaço mascote quanto sua política de publicidade. “Como o rosto da Ronald McDonald House Charities (braço encarregado das atividades de caridade do grupo), Ronald é um embaixador a serviço do bem, que dá mensagens importantes às crianças sobre segurança, alfabetização e um estilo de vida ativo e equilibrado”, afirma.

 

Aqui também discutimos

No Brasil, a publicidade dirigida às crianças também causa bastante polêmica. Tanto que na última terça-feira, 17, ocorreu um seminário em que a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática  (CCTCI) da Câmara dos Deputados debateu o Projeto de Lei nº 5.921/2001, que propõe alguma regulamentação nesse sentido.

Já se sabe que em vários países como Canadá, Dinamarca e a Europa como um todo existem regras e limitações para propagandas dirigidas ao público infantil. Isso porque, estudiosos e pesquisas já apontaram a vulnerabilidade e a inocência deste público frente aos apelos de consumo.

Além do Instituto Alana, representantes do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC/MJ), do Conselho Federal de Psicologia, do Idec, da ANDI, do Conar, da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap) e da Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão (Abert) também participaram do evento.

Com informações da agência AFP

Fonte: Redação Adnews