Ceará Cresce Brincando

Aqui se cresce brincando!

Arquivos Mensais: julho 2013

Chegamos no 100º!

balõesEstamos comemorando hoje o post de número 100 do nosso blog. E a conclusão que se chegou é que é muito bom dividir notícias e informações sobre o universo dos direitos de crianças e adolescentes, aqui nesse espaço.

Até hoje o blog já contabilizou mais de 50.000 visualizações. Tivemos acessos vindos dos Estados Unidos, Canadá, Portugal, Inglaterra e Noruega.  Entre os temas mais pesquisados estiveram aqueles que falaram sobre as sequências didáticas, o folclore, os educadores sociais, as crianças e as caravanas do brincar. Assuntos que não cansamos de abordar por aqui.

O blog hoje exerce um papel importante de manutenção da rede de educadores formados pelo CCB, além disso, aqui se pode divulgar boas ideias de tudo que anda sendo feito por ai para promover o brincar como um direito fundamental de toda criança e adolescente. A ideia sempre é falar de coisas boas, positivas, legais e reais, que orientem não só os educadores do Programa, mas todos que se interessem por esse espaço, pelo brincar e pela defesa de nossas crianças.

A equipe CCB agradece vocês leitores amigos, por nos acompanharem até aqui, e pedimos que permaneçam por muito mais tempo. Enquanto houver gente lendo dai, estaremos escrevendo daqui!

5ª turma do CCB é certificada

Como estávamos esperando o fotógrafo nos enviar fotos da solenidade de certificação dos educadores sociais do CCB, acabamos demorando um pouco para atualizar o blog. Mas cá estamos para contar um pouco não só da certificação, mas também do Seminário que realizamos na manhã do dia 1º de julho, na Universidade do Parlamento Cearense (UNIPACE), com os secretários de assistência social, educação, primeiras-damas e educadores sociais. Foi um momento bastante rico para o Programa e que não poderíamos deixar de realizar antes de finalizarmos as atividades do primeiro semestre de 2013.

No seminário, foi apresentado o resultado de todas as ações realizadas até junho de 2013. Ao todo foram 10 encontros, incluindo as três Caravanas do Brincar e da Leitura, em apenas quatro meses. Foi o maior fluxo de atividades já realizadas pelo programa até hoje. Em seguida, abriu-se um debate em que primeiras-damas e educadoras sociais deram depoimentos sobre vários pontos de vista a respeito do CCB. Falou-se sobre o sentimento de realização de inaugurar uma brinquedoteca, o desafio e os ganhos de participar da Caravana do Brincar e da Leitura, a experiência de vivenciar a Formação dos Educadores Sociais Brinquedistas e a importância do município apoiar o programa e incentivar seus educadores.

Foto: Filipe Acácio

Foto: Filipe Acácio

Rui Aguiar (UNICEF) e Jô Farias (APDMCE) entregam o certificados às educadoras de Itaiçaba e Dep. Irapuan Pinheiro

Rui Aguiar (UNICEF) e Jô Farias (APDMCE) entregam o certificados às educadoras de Itaiçaba e Dep. Irapuan Pinheiro

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Educadores sociais com seus certificados. Foto: Filipe Acácio

A programação continuou com a certificação que, como sempre, é realizada no Plenário 13 de maio, da Assembleia Legislativa, em Fortaleza. Cerca de 200 educadores sociais foram certificados pelas 120h/a de formação. Motivo que muito nos orgulha, pois eles representam a maior turma já certificada pelo CCB.

Agora, todos estão em campo, realizando as sequências didáticas planejadas conforme o calendário e o mapeamento do brincar. Em breve, retornaremos com as novidades planejadas para o segundo semestre de 2013. Muita coisa boa vem por ai!

O real, o virtual, as crianças e no meio disso tudo, uma mediação saudável e responsável

Computador-CriançaHá muito tempo acompanhamos os escritos de Flávio Paiva, jornalista e escritor cearense que se dedica a falar sobre muita coisa. Coisas importantes como cultura, educação, cidadania, mobilização social, e principalmente, infância. A criança, suas relações, as produções voltadas para elas, seus direitos e tantos outros assuntos que giram em torno desse universo, sempre estão presentes em seus artigos e textos tão coerentes e importantes para quem lida no dia-a-dia com crianças e adolescentes.

Dentre tantas produções, hoje pedimos licença a Flávio Paiva, para publicarmos aqui o artigo “O lugar da infância nas redes sociais”, escrito para sua coluna semanal do jornal Diário do Nordeste. O texto fala sobre a relação que a criança tem estabelecido entre o mundo virtual e o real, e qual o papel dos adultos mediadores – mais exclusivamente para o Ceará Cresce Brincando, leia-se educadores sociais – para que essa relação possa ser a mais saudável possível.

Boa leitura a todos!

 

O lugar da infância nas redes sociais

Artigo publicado no Jornal Diário do Nordeste, Caderno 3, pág2

Quinta-feira, 23de Maio de 2013-Fortaleza, Ceará, Brasil

http://www.flaviopaiva.com.br

flaviopaiva@fortalnet.com.br

 

Os problemas de segurança reduziram significativamente o uso das ruas e das praças pelas crianças. Confinadas em casas, apartamentos e mesmo em condomínios, meninas e meninos já não usufruem mais da proteção dos vizinhos e da educação em comunidade. Nesse contexto de tolhimento de liberdade surgiram as janelas, em formas de telas, do universo virtual. E, como Alice diante do espelho, as crianças perceberam que por meio delas chegariam às infovias de um mundo de logradouros digitais no qual poderiam voltar a ter a posse de lugares de circulação, de brincadeiras e de sociabilidade.

A descoberta das redes sociais e dos jogos on-line calhou bem na necessidade de vivência e de convivência da cultura da infância na sua dimensão própria de experiência humana, marcada por um permanente estado de alumbramento e por uma revelação de mundo em escalas bem diferentes da visão do adulto. A atração pelos espaços da virtualidade é tamanha que muitas crianças, além de não quererem saber dos riscos do novo ambiente, passaram a desistir da realidade concreta. A sintonia fina entre o mundo social real e o mundo social virtual passou, então, a ser um dos grandes desafios da atualidade.

Coloquei o que penso sobre essa problemática em uma conversa, ocorrida ontem (22) com pais e educadoras da Casa de Criança, dentro do programa “Trocando Ideias”, realizada por essa que foi a primeira escola dos meus filhos. Sob o guarda-chuva do tema “Nossos Filhos e as Redes Sociais – Um olhar real para o mundo virtual”, que me foi passado pela organização, falei do real e do virtual, como instâncias diferentes, mas passíveis do desenvolvimento de um mesmo processo educativo da imaginação, da sensibilidade e da inteligência.

As diferenças nas respostas das crianças, geradas pela fruição dos espaços do real e do virtual, podem ser observadas no comportamento comum de meninas e meninos. Enquanto em situações de ordem física a criança quer a repetição da história e da brincadeira, no plano virtual, depois de superadas as fases da narrativa e do jogo, elas geralmente não desejam refazer a experiência, talvez por restarem poucos elementos de recriação dentro do que foi desenhado pelos programadores.

O ponto mais comum na dinâmica de circulação das esferas reais e virtuais é que ambas são espaços sociais, com estruturas conectivas e vasos comunicantes. Mudam os conceitos de vizinho, amigo, acesso, distância e os hábitos de distanciamento e proximidade. Nas redes sociais virtuais é relativamente mais fácil ser notado e receber elogios fartos do que nas redes sociais físicas, que requerem deslocamentos e encontros com outras pessoas, embora pareça evidente que curtir com clique não expresse a mesma sinceridade do abraçar.

Quais os códigos para a nova interação social constituída pelo binômio real e virtual é o que precisamos saber, a fim de dominar o que há de comum desse conjunto de comunidades interconectadas. Essa aprendizagem passa pelo entendimento do enredo dos logradouros digitais, seus outdoors, suas propagandas, seus modelos de negócios e suas possibilidades de fortalecimento das culturas. As redes sociais hoje ainda se resumem a serviços de trocas de conteúdos e de relacionamentos, inclusive os jogos on-line, prestados por empresas inovadoras e competitivas da nova economia.

A internet é uma rede pública, com calçadas e avenidas, mas dominada por estabelecimentos privados em busca de lucro. A oferta de possibilidades prontas interfere na criação de sentido próprio por parte do usuário. O que se vê são pessoas caindo nas armadilhas das rotinas dos acessos virtuais e com dificuldade de conter os impulsos criados pela dependência excessiva das telas. O resultado do fastio a tudo o que não signifique estar conectado é o desinteresse pela realidade concreta, a irritação diante da ansiedade da conectividade, postura comprometida, obesidade, sonolência e baixo rendimento na escola.

Não vejo outra saída, que não a de darmos um salto à abstração do conceito de virtual em nossas vidas. Esse salto precisa considerar que virtual não é apenas um lugar para onde se vai e de onde se volta para o mundo real. O tempo e o espaço no universo da vida digitalizável está potencialmente mais próximo do jeito como as crianças cultivam o mundo do que o nossa. Esse é um fato a ser interpretado, analisado e aproveitado como oportunidade de aproximação de pais e filhos, intensificando vínculos da aprendizagem compartilhada do viver.

Nós, pais, precisamos entrar nesse exercício de descobertas e trocas consentidas com os nossos filhos. O comércio de dados de usuários e a indústria de armas chegaram primeiro, mas não é por isso que devemos esmorecer. A omissão da sociedade com relação ao mundo virtual permite que gangues ocupem os lugares de grupos sociais. Os perfis falsos, o aliciamento de menores, o cyberbullying e os boatos virais carecem da pedagogia da presença para deixarem de imperar na rede mundial de computadores, influenciando negativamente o comportamento dos nossos filhos.

O convívio social nesses tempos hipermodernos necessita mais do que nunca do legítimo e natural papel de educador das famílias, em quaisquer das suas configurações. A construção da confiança e a percepção dos valores culturais são responsabilidades intransferíveis. Os mundos on-line e offline não se refletem um no outro, cada qual tem a sua linguagem e o seu contexto. No diálogo de interfaces os pais podem funcionar muito bem como chamadores de atenção no jogo de conceitos e preconceitos muitas vezes dominados pelos chamados participantes tóxicos, aqueles que invadem os espaços de paz e de segurança nas redes sociais e nos jogos on-line.

Em um bate-papo que fiz com estudantes da EMEIF Antonio Correia Lima, da Vila Velha, na Barra do Ceará, realizada na semana passada (15/05/2013), na Biblioteca Cuca, uma garota perguntou qual a razão da escolha da descoberta da amizade entre diferentes para ser o tema do meu livro “A casa do meu melhor amigo” (Cortez Editora, 2010), e respondi que a única escolha que fiz foi a da metáfora do menino cupim, como a representação de alguém que mora em uma comunidade diferente, pois a necessidade de compreensão do viver tem na atualidade a dimensão das realidades concreta e virtual.

Em situações normais, o lugar da infância nas redes sociais e nos jogos on-line não deveria sofrer com restrições conceituais. As crianças precisam de vias e infovias para o bem de suas emoções, para crescerem sadias. Entretanto, os cuidados com a segurança devem ser constantes nos dois casos. A depender do nível de maturidade alcançado por cada criança, os pais podem e devem liberar os acessos, sem esquecer que muitos dos logradouros virtuais ainda são constituídos de terrenos baldios e de pontos de venda. Não há, portanto, prescrição ou fórmula para dar certo. A complexidade de circulação nos ambientes virtuais e físicos está impregnada de violência, mas é o mundo que temos para viver e precisamos nos aventurar para transformá-lo. Se há alguém que não tem direito à descrença é um pai, uma mãe…

Guaraciaba inaugura brinquedoteca em plena Caravana do Brincar

Durante uma das edições da Caravana do Brincar e da Leitura, o CCB acompanhou de perto a inauguração de mais um Espaço de Referência do Brincar. Guaraciaba do Norte uniu esforços e com o apoio da primeira-dama, Géssica Cavalcante e o trabalho das educadoras sociais entregou às crianças, adolescentes e famílias do município uma brinquedoteca cheia de “cantinhos” especiais e um acervo bem criativo. Muitos dos brinquedos e jogos à disposição na brinquedoteca foram confeccionados pelas educadoras e pelas próprias crianças.

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Foto: Emanuell Coelho

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Foto: Emanuell Coelho

A Caravana do Brincar e da Leitura aconteceu em Guaraciaba do Norte nos dias 4, 5 e 6 de junho e reuniu mais de 80 educadores dos municípios da região Norte, Serra da Ibiapaba e Litoral Oeste. Ela representou a terceira etapa da Formação dos educadores brinquedistas e corou este momento do Ceará Cresce Brincando com muita alegria, brincadeiras e histórias divididas pelos educadores com as crianças da rede pública do município.